Estádio

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A inauguração do “Getúlio Vargas Filho”

Antonio Carlos N. Oliveira

Jornalista

Jogando desde a fundação, em 1924, num simples campo gramado localizado no final da rua Capitão José Alexandre, na Vila Manoel Cecílio, o Palmeiras Futebol Clube sentiu a necessidade, nos primeiros anos da década de 1950, da expansão do patrimônio, oferecendo aos seus atletas e visitantes, bem como aos torcedores sanjoanenses, um verdadeiro estádio.

Com a fundamental colaboração de incansáveis diretores e muitos voluntários, financeiramente e na mão-de-obra, em 6 de março de 1955 foi realizado um grande sonho da comunidade alvinegra: a inauguração do que foi batizado Estádio “Getúlio Vargas Filho” – homenagem ao filho do então presidente Getúlio Vargas, que também disponibilizou verba para as obras através do desportista Chaffit Nicolau.

Além do gramado, vistosos portões de entrada, monumentais para a época, cabines para a imprensa, o primeiro lance de arquibancadas, que depois se tornariam as gerais, pela construção subsequente das cobertas, alambrado e vestiários. Tudo bem à altura do sucesso profissional que a agremiação buscava alcançar, sob a presidência do dinâmico administrador Welson Gonçalves Barbosa.

No período da tarde do sábado, 5 de março, dia anterior às aguardadas partidas de futebol (três) marcadas para o pontapé inicial do novo estádio, procedeu-se a inauguração dos portões principais do “Getúlio Vargas Filho”, exatamente às 15 horas, pelo prefeito municipal João Ferreira Varzim. Às 15h30, benção às novas instalações por parte do vigário da paróquia, Cônego Antonio David.

A seguir, descerramento de placas alusivas e apresentação das dependências que seriam utilizadas pela imprensa, sendo paraninfos daquele momento histórico o presidente da ALCES (Associação dos Locutores e Cronistas Esportivos Sanjoanenses) Benedito Fernandes de Oliveira, o Cajúca, e o jornalista Elisiário Petrus, sanjoanense, pertencente na época ao jornal paulistano “O Esporte”.

No período noturno, um coquetel foi oferecido às autoridades, diretores do clube e convidados, com as ilustres presenças do vice-governador do Estado de São Paulo – general Porfírio da Paz –, do presidente da Federação Paulista de Futebol, Mário Frugiuelle, e do diretor de A Gazeta Esportiva, jornalista Carlos Joel Nelli.

Os jogos festivos

Logo nas primeiras horas do domingo, 6 de março de 1955, uma “Alvorada” executada pela Corporação Musical sanjoanense percorreu as principais ruas e avenidas da cidade conclamando o povo para os espetáculos futebolísticos que estavam reservados para o período da tarde no novo estádio. Logo às 13 horas, o clássico local entre os veteranos do Palmeiras Futebol Clube e da Sociedade Esportiva Sanjoanense, disputando o Troféu “Dr. Oscar de Andrade Nogueira”. A seguir, um interessante jogo interestadual entre Associação Atlética Vargeana e o Rio Branco de Andradas, valendo ao vencedor o Troféu “Dr. Francisco Maringolo”. Por fim, a tão esperada presença do Guarani de Campinas, que enfrentaria o nosso Palmeiras. Como curiosidade, a bola para o espetáculo foi uma gentil oferta do desportista Cláudio Sibila.

Ficha técnica do jogo principal

Comparecendo com os titulares e confirmando o favoritismo por se tratar de um dos grandes clubes interioranos na década de 1950, o Guarani de Campinas venceu o Palmeiras pelo placar de 5 a 1. Confira as escalações das equipes:

Palmeiras: Dúsca - Mané Nogueira e Zezé Virga - Zé Côco - Lindóia e Bico Doce - Zé Carlos - Fae Ciacco - Efraim Nogueira - Lilo Cassini e Jaú, sob o comando técnico de Elias Assad Simão (Leãozinho). Participaram ainda do jogo o goleiro Zizi, Cascata, Jair Rosa, João Minhóca, João Bacana, Lospico e Baltazar.

Guarani: Paulo - Dalmo e Palante - Mandúco - Waldir e Godê - Dido - Augusto - Ismar - Fifi e Durvalino. Jogaram ainda Dirceu, Herbert, James, Clóvis, Joé, Henrique, Renato e Piolim.

Para fechar com “chave-de-ouro” aquele final de semana festivo, foi realizado à noite, na sede social do Palmeiras Futebol Clube, um grandioso baile de gala, num ambiente de total confraternização e amizade.